Escritora Lourdes Limeira | Categoria Cordel | Comentários desativados
Uma peleja “daquelas” entre 2 irmãs
Na Paraíba, home é coisa d’outro mundo
As mocinhas não têm muita opção
Umas, chupam o dedo
Outras, viram sapatão.
Em casa foi diferente
Duas delas disputaram o mesmo macho no dente
Por um paulistano aguado
As duas se apaixonaram.
Ocês não queiram saber
Quanto a coisa ficou feia
Era uma puxando daqui
Outra pro outro lado.
O cabrinha ficou no meio
Não sabia o que fazer
Só você vendo pra crer
A peleja esquentou tal o efeito estufa.
Duas irmãs tão bonitas
Brigando feito malucas
Por uma mesma biloca
Pimba do coisa ruim.
Cabra safado virou cabeça de 2 irmãs
Só podia ser bicho-micuim
Vindo de onde o vento faz a curva
E mais, da cara de sagüim.
De longe, já se via que a peste era o capeta
Magro,baixote e falava pelo nariz
Com um sotaque filho-da-puta
Pena, pois a mãe dele era uma santa.
Virge Santa! As 2 Marias se estrambelharam
Não mediram, ao menos, as conseqüências
Engravidaram no mesmo dia
E a loucura fora a tônica.
Uma, deu a luz a uma menina sardenta
A outra, a um menino ingraçado
Aquelas crianças completam o episódio complicado
De 4 mal-amados.
Quando, por acaso, os 4 se encontram
O estopim está feito
O ar fica tão poluído
É estilhaço pra todo lado.
A família dessas beldades
Não têm nada a dizer
Elas mesmas que buscaram
Suas formas de prazer.
Por um lado foi legal
A felicidade de casal
Ditada pela fraternidade
Dividida com eqüidade.
As irmãs queriam mais
Os primos-irmãos felizes da vida
Estavam todos em casa
E o parangolé? À mesa.
No final, tudo normal
Uma festa de primeira
A Champanhe estourada na bebedeira
Tudo como manda o figurino.
Quem nunca pecou
Que atire a primeira pedra
Se até Madalena foi perdoada
Por que não essas irmãs amadas.
Se a fraqueza é do homem
A gente precisa relevar; ir além
Não julguemos pra não sermos julgados
Sejamos coerentes em nossos conchavos.
As irmãs não tiveram saída
Senão dividir o pão
Eu não tenho nada com isso não
Eu só peço pra elas, o perdão.
Olho por olho
Dente por dente
Quem gostou; bata palma
Quem não gostou; fique caolho.
Vou-me já arretirando
Pois pode sobrar pra mim
A batata esquentou
Eu não quero ficar da cor de carmim.
Atirei o pau no gato
Acertei o Dodó
Cachorrinho de esperto
Precisou comer jiló.
Não preciso ser profeta
Pra saber o final dessa história
Essas 2 representam um lance da minha memória
E a vida, enfim, eu agaranto é prato cheio de bóia.


