Escritora Lourdes Limeira | Categoria Poesias | seja o primeiro
RIO NEGRO
Que mistérios têm esse caudaloso rio
De águas profundas e escuras?
Por que ser tão negro?
Será que a tua cor traduz um porquê?
Sei apenas que o Rio é negro!
Negro!
Procurar o porquê é o mesmo
Que procurar saber por que o homem envelhece
Não tem nada a ver!
Ele é negro porque é negro.
Isto é o bastante
Tanto prá mim
Quanto prá você.
Sei apenas que Ele é negro.
E daí?
Negro, nada mais.
__ Prá ti isso tem importância?
__ Sei não…Só sei que o rio é o meu ganha-pão.
Porque sem ele não seria a mesma coisa.
Por ele regateio minhas mercadorias para os ribeirinhos.
E se é negro ou branco é o que menos me importa.
Mas, sei que o Rio é negro.
O negro dos teus olhos
Não é mais negro do que o Rio Negro
Quiçá tenhas tantos mistérios quanto Esse
Mesmo assim, prefiro àquele
Quero retificar:
Admito. Ele é a minha perdição!
Sei perfeitamente o quanto esse Rio é negríssimo.
Não merece tanta especulação
Mesmo porque está escrito
Não sei em que livro
Que o negro tem alma branca
Ou será que é o contrário?
Eis a questão:
O negro do Rio Negro.
Nada mais é que substâncias orgânicas
Arrastadas do mato __
Resíduos da Floresta Amazônica.
Rio Negro, meu nego!
Tu és fonte de minha inspiração
E preciso declarar-te o quanto
És o rio mais dogmático
A meus olhos:
Minhas retinas te refletem
Mais nego ainda.
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