set 23, 2007

Escritora | Categoria Poesias | seja o primeiro

RIO NEGRO

RIO NEGRO

Que mistérios têm esse caudaloso rio

De águas profundas e escuras?

Por que ser tão negro?

Será que a tua cor traduz um porquê?

Sei apenas que o Rio é negro!

Negro!

Procurar o porquê é o mesmo

Que procurar saber por que o homem envelhece

Não tem nada a ver!

Ele é negro porque é negro.

Isto é o bastante

Tanto prá mim

Quanto prá você.

Sei apenas que Ele é negro.

E daí?

Negro, nada mais.

__ Prá ti isso tem importância?

__ Sei não…Só sei que o rio é o meu ganha-pão.

Porque sem ele não seria a mesma coisa.

Por ele regateio minhas mercadorias para os ribeirinhos.

E se é negro ou branco é o que menos me importa.

Mas, sei que o Rio é negro.

O negro dos teus olhos

Não é mais negro do que o Rio Negro

Quiçá tenhas tantos mistérios quanto Esse

Mesmo assim, prefiro àquele

Quero retificar:

Admito. Ele é a minha perdição!

Sei perfeitamente o quanto esse Rio é negríssimo.

Não merece tanta especulação

Mesmo porque está escrito

Não sei em que livro

Que o negro tem alma branca

Ou será que é o contrário?

Eis a questão:

O negro do Rio Negro.

Nada mais é que substâncias orgânicas

Arrastadas do mato __

Resíduos da Floresta Amazônica.

Rio Negro, meu nego!

Tu és fonte de minha inspiração

E preciso declarar-te o quanto

És o rio mais dogmático

A meus olhos:

Minhas retinas te refletem

Mais nego ainda.

.

 




 

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