Escritora Lourdes Limeira | Categoria Cordel | seja o primeiro
A Saga do nordestino
Quem nunca sentiu fome
Nem passou miserê
Jamais comprenderá de pindaíba
Não ter nem um taco de pão
Na mesa, prá comer
É de dar dó do Zé Mané
Não é mole
Só vivenciando essa pendenga
Prá se crêr
O doído que é.
Sentir na pele, essa sina
Tirar de letra a quizila
Fazer disso, uma brincadeira do destino
Não pestanejar na querela
Do vizinho e/ou patrão sovinos
Não titubear na vida
Correr atrás do seu sonho
Dia e noite sem parar
Se não quiser findar
Mortinho da silva.
A parada é fogo
Não se pode embromar
Nordestino é osso duro de roer
Rala de sol a sol
Trouxe peido na testa
Ao invés de estrela
Porém não esmorece
Vai em frente, não dá bobeira
Reza prá padrinho Padre Cícero
Deseja que a agonia pare.
Tem, óbvio, que metamorfosear
O caminhar e a aflição
Tenta buscar com fé e obstinação
Ajuda lá do céu
De todos os santos
Santa Etelvina, e Santa Justina
Pois só elas, aliviar-lo-ão
Toda essa difícil barra
Nas próprias costas, a pesar
Segue com a paciência de Jó.
A quebradeira há de acabar
Há de transmitir muita luz
Alcançar, inclusive, a salvação
Não cair de quatro
Nas garras do topetudo
Conseguir outro fim daquele que teve Caim
São Pedro, por certo, o acolherá
Só não pode blasfemar
Há de agüentar firme a pressão.
Obedecerá às leis divinas
Jejuará, dará testemunho
A ovelha à casa tornará
Não poderá lastimar por nada
Terá que viver conforme Deus permitir
Não fornicará antes de casar
Viverá uma vida santa
Tanto em palavras quanto em atos
Essa é a sua saída.
Viverá cada dia como se fosse único
Não se desesperará por coisa alguma
Preciosa, é sua conscientização
Ambiental, e também solidária
Para com seus irmãos
Paciente será com velhinhos e crianças
Dará muito amor aos jovens
De forma genérica
Será um cidadão de mão cheia
Terá responsabilidade com aquilo que cativar.
Fará tudo com muito carinho
Quem sabe, sairá vencedor
Encontre a paz que precisa
E fechará os olhos
De modo tranqüilo
Sem nenhum remorso
Também, eu ia esquecendo
Fechará a boca
Prá mosca não entrar
E não falar asneiras
Falará conforme a sabedoria grega antiga.
A vida é uma peça teatral
Porém, não nos dá tempo
Prá realizarmos os ensaios
Daí, se quisermos encontrar a felicidade
Não poderemos ser trogloditas
Pois não poderemos nos arrepender
Mas se vivermos com coragem e persistência
Conseguiremos até esnobar
E, muito mais, ganhar os louros em vida.


