nov 4, 2008

Escritora Lourdes Limeira | Categoria Cordel | seja o primeiro

A Saga do nordestino

A Saga do nordestino

Quem nunca sentiu fome

Nem passou miserê

Jamais comprenderá de pindaíba

Não ter nem um taco de pão

Na mesa, prá comer

É de dar dó do Zé Mané

Não é mole

Só vivenciando essa pendenga

Prá se crêr

O doído que é.

Sentir na pele, essa sina

Tirar de letra a quizila

Fazer disso, uma brincadeira do destino

Não pestanejar na querela

Do vizinho e/ou patrão sovinos

Não titubear na vida

Correr atrás do seu sonho

Dia e noite sem parar

Se não quiser findar

Mortinho da silva.

A parada é fogo

Não se pode embromar

Nordestino é osso duro de roer

Rala de sol a sol

Trouxe peido na testa

Ao invés de estrela

Porém não esmorece

Vai em frente, não dá bobeira

Reza prá padrinho Padre Cícero

Deseja que a agonia pare.

Tem, óbvio, que metamorfosear

O caminhar e a aflição

Tenta buscar com fé e obstinação

Ajuda lá do céu

De todos os santos

Santa Etelvina, e Santa Justina

Pois só elas, aliviar-lo-ão

Toda essa difícil barra

Nas próprias costas, a pesar

Segue com a paciência de Jó.

A quebradeira há de acabar

Há de transmitir muita luz

Alcançar, inclusive, a salvação

Não cair de quatro

Nas garras do topetudo

Conseguir outro fim daquele que teve Caim

São Pedro, por certo, o acolherá

Só não pode blasfemar

Há de agüentar firme a pressão.

Obedecerá às leis divinas

Jejuará, dará testemunho

A ovelha à casa tornará

Não poderá lastimar por nada

Terá que viver conforme Deus permitir

Não fornicará antes de casar

Viverá uma vida santa

Tanto em palavras quanto em atos

Essa é a sua saída.

Viverá cada dia como se fosse único

Não se desesperará por coisa alguma

Preciosa, é sua conscientização

Ambiental, e também solidária

Para com seus irmãos

Paciente será com velhinhos e crianças

Dará muito amor aos jovens

De forma genérica

Será um cidadão de mão cheia

Terá responsabilidade com aquilo que cativar.

Fará tudo com muito carinho

Quem sabe, sairá vencedor

Encontre a paz que precisa

E fechará os olhos

De modo tranqüilo

Sem nenhum remorso

Também, eu ia esquecendo

Fechará a boca

Prá mosca não entrar

E não falar asneiras

Falará conforme a sabedoria grega antiga.

A vida é uma peça teatral

Porém, não nos dá tempo

Prá realizarmos os ensaios

Daí, se quisermos encontrar a felicidade

Não poderemos ser trogloditas

Pois não poderemos nos arrepender

Mas se vivermos com coragem e persistência

Conseguiremos até esnobar

E, muito mais, ganhar os louros em vida.

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